A conversa no balcão do petshop
Fui comprar ração para o nosso gato outro dia. O dono da loja é do tipo que sempre está reclamando de alguma coisa, mas nos damos bem. Quando cheguei, ele conversava com outro cliente sobre política e economia — com a análise particular deles sobre o assunto.
Fiquei ali, esperando minha vez, ouvindo os dois reclamarem da concorrência do comércio de rua, falando mal da Shopee e do Mercado Livre. Reclamaram das relações do governo com a China, do fato de aviões do Mercado Livre trazerem produtos chineses direto para o Brasil.
Eu adoraria ter entrado nessa conversa — economia, vendas e comércio exterior são temas que eu vivo no dia a dia. Mas fiquei quieto, esperei ele pesar a ração e só queria voltar para casa.
O exercício de não me meter
Ouvir alguém falar sobre economia e comércio com uma visão simplista, sem aprofundar os dados, e não entrar no assunto é um exercício de autocontrole para mim. Minha versão antiga faria duas coisas: abriria a boca para questionar os dados deles, ou perguntaria por que, em vez de reclamar, o próprio dono da loja não estava surfando nessa onda.
Hoje, pela minha saúde mental, eu evito esse tipo de debate. E não vou distribuir consultoria gratuita no balcão de um petshop — gastar energia intelectual tentando convencer quem não enxerga a oportunidade não vale o esforço. Paguei a ração, peguei e fui embora.
A conta que ninguém fez
Mas aquilo ficou na minha cabeça. Memorizei o nome da ração e o preço por quilo que ele cobra no petshop: R$ 14,00. Chegando em casa, abri a Shopee só para conferir — e o mesmo produto, vendido de forma fracionada, custava R$ 23,00 o quilo.
Mesmo descontando as taxas da plataforma, a margem dele continuaria parecida com a que já tem vendendo no balcão. A diferença é o alcance: em vez de atender só quem passa na rua do bairro, ele estaria vendendo para o Brasil inteiro.
O mundo é o mesmo para todos — a mentalidade não
Os desafios e as oportunidades são os mesmos para todo mundo. A diferença está em quem enxerga a chance de vender para o país inteiro e quem só reclama da concorrência que “rouba” seus clientes.
Quem aproveita essas oportunidades incomoda quem não está preparado para levar o negócio para o próximo nível — porque a prova de que era possível está ali, na frente, sendo ignorada todos os dias.
Se você reconhece esse cenário no seu próprio negócio — vendendo bem no local, mas nunca tendo calculado o que a venda em marketplace representaria — talvez seja hora de fazer a conta que o dono do petshop não fez.
Sou Jean Souza, estrategista de marketing sênior com mais de 15 anos acompanhando o marketing digital — das primeiras campanhas no Google e no Meta à era da IA. Atuo como a direção de marketing que a sua operação não tem, e opero o Ecossistema Tailor para entrega de resultados.
