Por que o Dia dos Pais vende menos? A verdade sobre marketing, afeto e consumo

O Dia dos Pais não é uma data comercial fraca. Em 2025, a Serasa Experian estimou movimentação de R$ 7,84 bilhões no comércio brasileiro durante a data, colocando o Dia dos Pais entre os principais períodos sazonais do varejo. Ainda assim, ele costuma ficar atrás de datas como Dia das Mães, Natal e outras grandes ocasiões de consumo.

Então surge uma pergunta importante para quem trabalha com marketing, vendas e varejo: por que o Dia dos Pais parece vender menos? A explicação pode estar em uma combinação de fatores: comportamento do consumidor, cenário econômico, tradição cultural e, principalmente, a forma como o marketing construiu a imagem da paternidade.

Dia dos Pais vende menos que Dia das Mães?

Em termos gerais, sim. O Dia das Mães possui maior força comercial e emocional no varejo brasileiro. Para comparação, a Serasa Experian registrou uma estimativa de R$ 13,2 bilhões em movimentação para o Dia das Mães de 2024.

Isso não significa que o consumidor valorize menos o pai. Significa que diferentes fatores influenciam a transformação de uma relação afetiva em uma decisão de compra.

O ponto central é justamente esse: afeto e consumo não são exatamente a mesma coisa.

O Dia dos Pais é uma data menos afetiva?

Não existe evidência suficiente para afirmar que o Dia dos Pais seja menos afetivo. O que existe é uma diferença histórica na maneira como a sociedade representa mães e pais.

A maternidade foi tradicionalmente associada a cuidado, proteção, acolhimento, carinho e presença emocional. Já a figura paterna foi frequentemente representada como provedor, autoridade e responsável pela proteção financeira da família.

Essa diferença cultural também chegou à publicidade.

Durante décadas, campanhas de Dia das Mães exploraram intensamente histórias emocionais. Comerciais mostravam lembranças de infância, sacrifícios, cuidado, saudade, abraços e relações familiares.

No Dia dos Pais, a publicidade frequentemente escolheu caminhos mais previsíveis: futebol, churrasco, cerveja, ferramentas, carros e eletrônicos.

O problema não está necessariamente nesses produtos. O problema está em transformar a identidade do pai em um conjunto limitado de estereótipos.

Talvez o problema seja a forma como o pai é vendido

Essa pode ser uma das maiores oportunidades para o marketing contemporâneo.

O pai atual pode ser muito diferente daquele personagem tradicional das campanhas publicitárias. Ele pode trocar fraldas, preparar o jantar, acompanhar a escola, cuidar da casa, conversar sobre sentimentos, levar o filho ao médico, trabalhar em casa ou simplesmente estar presente nos momentos importantes.

Se a sociedade mudou, a comunicação das marcas também precisa mudar.

Em vez de perguntar somente “qual presente seu pai gostaria de ganhar?”, uma campanha pode fazer perguntas mais emocionais:

  • Qual foi a coisa mais importante que seu pai ensinou?
  • Qual lembrança você guarda da infância com ele?
  • O que você gostaria de agradecer ao seu pai?
  • Qual momento simples vocês nunca esqueceram?
  • O que você gostaria de dizer ao seu pai hoje?

Esse tipo de comunicação pode transformar uma campanha de produto em uma campanha de relacionamento.

O marketing é responsável pelas vendas do Dia dos Pais?

Parcialmente. Marketing influencia percepção, lembrança, desejo, consideração e decisão de compra. Mas não controla sozinho o resultado de uma data comemorativa.

O cenário econômico também pesa.

Em 2025, pesquisa da Serasa Experian mostrou que 63% das pequenas e médias empresas esperavam estabilidade nas vendas durante o Dia dos Pais, enquanto apenas 36% esperavam aumento.

Juros elevados, crédito mais restrito, endividamento e menor poder de compra podem reduzir a disposição do consumidor para adquirir presentes, mesmo quando existe intenção de homenagear alguém.

O consumidor quer presentear, mas precisa de uma justificativa

Essa é uma diferença importante para o planejamento de campanhas.

Uma pessoa pode gostar muito do pai e, ainda assim, decidir não comprar um presente caro. O sentimento existe, mas a condição financeira determina o comportamento de consumo.

Por isso, campanhas eficientes de Dia dos Pais precisam trabalhar diferentes faixas de preço e diferentes motivações de compra.

Uma estratégia pode apresentar:

  • presentes acessíveis;
  • kits e combos;
  • produtos personalizados;
  • experiências;
  • produtos premium;
  • opções para diferentes perfis de pais.

Isso permite que a marca participe da celebração mesmo quando o consumidor não pode gastar muito.

Por que o Dia dos Pais é uma oportunidade para o marketing?

Justamente porque existe espaço para inovação.

Enquanto muitas marcas repetem os mesmos conceitos todos os anos, empresas que conseguem apresentar uma visão diferente da paternidade podem ganhar atenção.

O marketing pode explorar histórias reais, vídeos curtos, depoimentos, conteúdos gerados por clientes, campanhas de storytelling e anúncios segmentados.

Também existe uma oportunidade enorme para o e-commerce e o marketing digital. O consumidor pode descobrir uma ideia de presente pelas redes sociais, pesquisar no Google, comparar preços e concluir a compra em poucos minutos.

Quando começar uma campanha de Dia dos Pais?

Uma das falhas mais comuns do marketing sazonal é esperar a semana da data.

Campanhas eficientes podem começar várias semanas antes, dividindo a comunicação em etapas.

Fase 1 — Descoberta

Apresente histórias, situações e conteúdos relacionados à paternidade. O objetivo é gerar identificação.

Fase 2 — Consideração

Mostre ideias de presentes, categorias de produtos, comparações, avaliações e benefícios.

Fase 3 — Conversão

Apresente ofertas, condições de pagamento, frete, prazo de entrega e chamadas para ação.

Fase 4 — Última oportunidade

Na proximidade da data, a comunicação pode explorar urgência, estoque e prazo de entrega.

Essa estrutura é mais eficiente do que simplesmente publicar “Feliz Dia dos Pais” no domingo da comemoração.

Quais produtos mais vendem no Dia dos Pais?

As categorias tradicionalmente associadas ao Dia dos Pais incluem moda masculina, calçados, perfumes, eletrônicos, acessórios, ferramentas, artigos esportivos e produtos relacionados a hobbies.

Mas existe uma mudança importante: o presente não precisa necessariamente representar aquilo que o pai gosta. Ele pode representar aquilo que pai e filho gostam de fazer juntos.

Essa diferença abre espaço para experiências, viagens, restaurantes, atividades esportivas, fotografia, entretenimento e outros produtos ou serviços que criem memória.

O futuro do Dia dos Pais pode estar na experiência

Essa é uma das tendências mais interessantes para o marketing.

Produtos podem ser esquecidos. Experiências podem permanecer na memória durante anos.

Por isso, marcas podem posicionar seus produtos não apenas como objetos, mas como parte de uma história.

Uma câmera pode representar uma lembrança. Um jantar pode representar tempo juntos. Uma viagem pode representar uma experiência. Uma camiseta pode representar uma paixão compartilhada.

O produto é físico. O significado é emocional.

Então, falta marketing no Dia dos Pais?

Em parte, sim. Existe espaço para campanhas mais criativas, mais emocionais e menos dependentes de estereótipos.

Mas seria errado afirmar que o Dia dos Pais vende pouco apenas porque as empresas não fazem marketing suficiente.

O desempenho comercial também depende de renda, crédito, inflação, preços, confiança do consumidor, categorias de produtos e comportamento de compra.

A melhor conclusão é outra: o Dia dos Pais possui um potencial comercial relevante, mas seu potencial emocional ainda pode ser melhor explorado.

O que o Dia dos Pais ensina para as marcas?

A principal lição é simples: não venda somente o presente. Venda o significado do presente.

Uma loja de roupas não precisa vender apenas uma camisa. Pode vender a oportunidade de presentear alguém que sempre cuidou de você.

Uma loja de eletrônicos não precisa vender apenas um aparelho. Pode vender a possibilidade de compartilhar uma experiência.

Um restaurante não precisa vender apenas uma refeição. Pode vender algumas horas de convivência.

É essa mudança de perspectiva que transforma marketing sazonal em marketing emocional.

Conclusão: por que o Dia dos Pais vende menos?

O Dia dos Pais não é uma data comercial irrelevante. Pelo contrário: movimenta bilhões de reais e ocupa posição importante no calendário do varejo brasileiro.

Porém, sua força comercial costuma ficar abaixo de datas como Dia das Mães e Natal.

A explicação não está simplesmente na falta de afeto pelos pais. Também não está somente na falta de marketing.

Existe uma combinação de fatores econômicos, comportamento de consumo, tradição cultural e comunicação publicitária.

O grande desafio — e também a grande oportunidade — está em atualizar a narrativa.

O pai não precisa ser apenas o homem do churrasco, do futebol, da ferramenta ou do carro.

Ele pode ser o pai que cuida, ensina, conversa, cozinha, brinca, acompanha, protege, erra, aprende e participa.

E talvez seja exatamente aí que esteja a oportunidade comercial que muitas marcas ainda não perceberam.

O Dia dos Pais não precisa de mais produtos. Precisa de histórias melhores para vender esses produtos.

Perguntas frequentes sobre vendas no Dia dos Pais

Por que o Dia dos Pais vende menos que o Dia das Mães?

O Dia dos Pais geralmente apresenta menor movimentação comercial que o Dia das Mães por uma combinação de fatores econômicos, comportamento do consumidor, tradição cultural e diferenças na forma como as duas datas são trabalhadas pelo marketing.

O Dia dos Pais é uma data comercial importante?

Sim. Em 2025, a Serasa Experian estimou R$ 7,84 bilhões em movimentação durante o período, colocando a data entre as principais do calendário comercial brasileiro.

O Dia dos Pais é menos afetivo que o Dia das Mães?

Não há base suficiente para afirmar isso. A diferença pode estar principalmente na forma como a sociedade e a publicidade historicamente representam a maternidade e a paternidade.

Como aumentar as vendas no Dia dos Pais?

Marcas podem trabalhar antecipação, segmentação, storytelling, conteúdo emocional, diferentes faixas de preço, kits, personalização, experiências e campanhas digitais orientadas à conversão.

Quando começar uma campanha de Dia dos Pais?

O ideal é começar antes da semana da comemoração, utilizando uma estratégia progressiva de descoberta, consideração, conversão e urgência.

Quais produtos vendem mais no Dia dos Pais?

Entre as categorias tradicionalmente associadas à data estão moda masculina, calçados, perfumes, eletrônicos, ferramentas, artigos esportivos e produtos ligados a hobbies. Experiências e produtos personalizados também podem ser explorados.

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Sou Jean Souza, estrategista de marketing sênior com mais de 15 anos acompanhando o marketing digital — das primeiras campanhas no Google e no Meta à era da IA. Atuo como a direção de marketing que a sua operação não tem, e opero o Ecossistema Tailor para entrega de resultados.

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